Verão aumenta busca por "corpo perfeito" e eleva risco de lesões, alerta fisioterapeuta
Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, treinos intensos sem preparo e o calor elevam os casos de dor e de afastamento das atividades.
Com a chegada do verão, cresce a procura por resultados estéticos rápidos e aumenta o número de pessoas que interrompem os treinos por dor, inflamações e lesões musculoesqueléticas. A avaliação é da fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, segundo a assessoria de imprensa da profissional.
De acordo com ela, o problema raramente está no exercício em si, e sim na forma como ele entra na rotina. “O verão incentiva o movimento, praia e atividades ao ar livre. Só que muita gente tenta compensar meses de sedentarismo com treinos intensos em poucas semanas. O corpo responde com dor, queda de desempenho e, em muitos casos, lesão”, diz.
Segundo a assessoria, as queixas mais comuns são dores no joelho, tornozelo, coluna, ombro e panturrilha, além de contraturas e inflamações.
Atividade física no país
O Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, é realizado nas capitais. Ele monitora hábitos como a prática de atividade física no tempo livre e indica que parte importante da população adulta não atinge níveis considerados adequados.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos acumulem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica moderada, com fortalecimento muscular em dois dias da semana. “Quando a pessoa sai do zero para uma rotina acima do recomendado, sem progressão, a chance de sobrecarga cresce. E no calor, esse risco aumenta”, afirma Mariana.
Para a fisioterapeuta, a ampla oferta de academias ajuda, mas não substitui a orientação individual. “Ter acesso a treino não garante segurança. Em janeiro, muita gente começa com metas irreais, falta de descanso e técnica ruim. O resultado costuma aparecer como dor persistente e abandono do exercício, exatamente o oposto do que a pessoa buscava.”
Padrões observados
Segundo a fisioterapeuta, quem retoma a corrida costuma aumentar volume e intensidade e trocar o descanso por mais treino. Já quem busca “secar” faz treinos longos, soma musculação e cardio em excesso, reduz o sono e aumenta o consumo de estimulantes.
Nos esportes de praia, a areia exige mais do tornozelo e do joelho, e saltos e arrancadas elevam o risco de entorse e tendinopatia. “O corpo precisa de adaptação. Sem isso, o verão vira temporada de anti-inflamatório e gelo, não de saúde”, diz Mariana.
Cuidados recomendados
- Progressão realista: o aumento de carga, volume ou intensidade pede semanas, não dias.
- Força com mobilidade: “Musculação bem planejada protege as articulações. Mobilidade e controle motor ajudam a distribuir carga. E o cardio entra como complemento, não como punição.”
- Manejo do calor: hidratação ao longo do dia, horários com menor temperatura, roupas adequadas e pausas.
- Sono e recuperação: “Sem descanso, o tecido não se recupera. O ganho vira perda.”
Sinais de alerta
Mariana orienta buscar avaliação profissional diante de dor que piora a cada treino, incômodo que muda a forma de andar, formigamento, perda de força, dor noturna, inchaço persistente e sensação de instabilidade.
“Dor nem sempre significa lesão grave, mas dor repetida e crescente sinaliza sobrecarga. A fisioterapia entra para avaliar padrão de movimento, corrigir compensações e ajustar treino para manter a pessoa ativa.”
Para quem quer resultado estético sem risco à saúde, a fisioterapeuta recomenda trocar a lógica do atalho pela do plano. “O corpo muda com consistência. Em poucas semanas, dá para melhorar a disposição e reduzir a dor, mas a definição corporal depende de rotina, alimentação, sono e treino progressivo. O verão pode ser o começo de um hábito, não um projeto de curto prazo”, conclui.
Com informações de assessoria de imprensa Fonte: Tinteiro Assessoria de Imprensa